Magusto e Animação musical marcaram este dia.

No passado dia 11 de novembro, deu-se lugar à comemoração do Feriado Municipal, com a realização de uma Sessão Solene nos Paços do Concelho.

Para além de todo o Executivo Municipal, marcaram presença os membros da Assembleia Municipal, assim como algumas individualidades e população em geral que encheram o Salão Nobre.

A Sessão iniciou-se com a palavra do Dr. João Paulo, em representação do Presidente da Assembleia Municipal, que após agradecer aos presentes, por terem aceitado o convite para participarem na comemoração desta importante data para todo o concelho, fez uma breve analogia entre a Lenda de S. Martinho e ao clima de austeridade que se faz sentir no território nacional, parafraseando Oscar Wild que afirmava “Aconselhar economia ao pobre é grotesco e insultante. É como aconselhar que se come menos a quem está a morrer de fome” enaltecendo o gesto de partilha assumido por S. Martinho na sua lenda e que hoje faz hoje ainda mais sentido. Mencionou também os valores de companheirismo e do reforço da amizade que estão associados a esta quadra, a importância de outros produtos como a Castanha e o Vinho enquanto motores do desenvolvimento económico do concelho. Estes e outros produtos endógenos têm um papel de grande relevância no papel do crescimento económico e progresso na qual o recém-eleito Executivo Municipal desempenhará um importante papel facilitador e promotor destes produtos. Terminou o seu discurso apresentando ao Presidente do Município, a sua total colaboração e solidariedade dentro de um quadro total de rigor e exigência, ressalvando a necessidade de união entre todos os órgãos municipais, pois só deste modo se poderão resolver todos os problemas com que o concelho se debate atualmente.

Seguidamente teve o uso da palavra o Presidente do Município, Anselmo Sousa, onde após cumprimento dos presentes e agradecimentos com um agradecimento especial ao Dr. Paulo Lourenço por ter aceite o convite para ser moderador neste dia do Município, começou por referir que quando se evoca o passado e a efeméride, aponta para algo brilhante, não se devendo tomá-la tão só como um permanente argumento do presente mas devemos assumi-la como exemplo para irmos mais além continuando a fazer cada vez mais e melhor. Com esta atitude é que se honram os bons legados e é assim que encaramos este dia do Município. Este dia além de ser um dia de festa para o concelho também o deverá ser um dia de reflexão, não podendo por isso deixar de se falar nos problemas com que as autarquias se defrontam atualmente, devido à aplicação cega por parte do poder central, das novas medidas restritivas que as impossibilitam de resolver muitas das situações urgentes e elementares do quotidiano, referindo-se à lei nº 8/2012 ou lei dos compromissos, aos cortes sucessivos das transferências das verbas para as autarquias. Criticou também a intenção do Governo do encerramento dos Serviços Públicos, como o Tribunal e a Repartição de Finanças, o que leva indiscutivelmente ao sentimento de frustração e desilusão para com o Poder Central. Contudo perante todas estas adversidades, ninguém se pode acomodar, pois caso isso acontecer iremos sofrer as consequências nefastas de tal decisão. Torna-se necessário a criação de sinergias, unindo esforços para a defensão dos interesses do nosso concelho garantindo deste modo um melhor “bem-estar” para todos. Se a divisão e desunião prevalecer, se as ideologias se confundirem com os interesses do concelho perder-se-á toda a autoridade moral para podermos reivindicar um futuro melhor. Reiterou ainda a ideia de que este Executivo irá estar ao serviço da população, pedindo a colaboração a todos os órgãos autárquicos, às associatividades e aos próprios munícipes para deste modo se desenvolver um rumo com o envolvimento de todos, fazendo com que as ideias chave como a Colaboração e a Solidariedade como sendo as bases do conhecimento, do trabalho e da riqueza que se pretende, promovendo o concelho e mostrando que é possível continuar-se a acreditar. Terminou a sua intervenção mencionando que nos tempos de crise os territórios do Interior são os mais afetados pois tais políticas desajustadas, pelo esquecimento e abandono a que ficam sujeitos estes territórios, apesar da existências de inúmeras potencialidades que poderão conduzir a outros rumos inovadores. Não se pode deixar de lutar sobre o que melhor temos que são o esforço e a criatividade, devendo-se acreditar e confia no futuro com a colaboração de todos para que seja um futuro promissor e melhor.

O Dr. Paulo Lourenço, natural do concelho, licenciado em História com uma Pós-Graduação em Ciências Documentais – especialização em Arquivo e Documentação, onde exerce funções no Arquivo Distrital de Faro  começou por agradecer o convite por poder regressar à sua terra, onde mesmo à distância não deixa de acompanhar as notícias locais, o mesmo acontecendo com certeza com outros “filhos da terra”, dirigindo também umas palavras de apreço para todos os residentes do concelho por desempenharem um importante papel na formação pessoal dos nossos jovens incutindo-lhes valores e princípios para a vida, onde se vive num espaço de sociabilidade e cultura tornando-se assim uma referência para quem cresce nesta terra. Deu ainda os parabéns a todos pela forma elevada de como ocorreram as últimas eleições, pelo grande testemunho de pluralidade com que se pautaram as últimas eleições autárquicas, com a defensão ativa das suas ideias, onde se debateram os grandes problemas do interior e da desertificação, sendo um testemunho de vitalidade, que levará à existência de um futuro melhor porque o futuro somos nós. Na sua intervenção fez uma descrição histórica do Feriado de S. Martinho e sobre a sua origem como feriado municipal e à importância dos feriados como momentos de reflexão, contemplação e sociabilização. São tempos em que nos podemos juntar, referindo-se a todos os estratos sociais e quadrantes políticos, adversários inclusive, pois todos têm um objetivo comum, uma ideia em comum, a ideia de um futuro melhor e é nessa altura que se juntam onde muitas das vezes se discutem estas temáticas. O feriado desempenha um papel de reflexão, onde para além da festa, também existe espaço para a reflexão e sociabilidade que nos permite avançar e dar um passo para o futuro. Em jeito de reflexão final deu conta da diminuição de residentes no concelho ao longo dos anos, para se inverter esta tendência negativa, compete a cada um de nós quebrar essa tendência, tornando “cada má notícia numa boa notícia”. Temos todos que nos juntar e refletir sobre isto e discutir. Discutir não é lutar, ser adversário não é ser inimigo, é tentar discutir um problema e encontrar uma solução para o mesmo, construindo deste modo o futuro. Temos que ser todos do mesmo lado, ser da nossa terra, testemunho da vitalidade de uma sociedade dinâmica.

Seguidamente à Sessão Solene, seguiu-se o tradicional Magusto no largo da Nave de Exposições do Mercado Municipal, antecedido pela atribuição dos prémios do 3º Concurso da Castanha que visa a premiar as melhores amostras de exemplares deste produto. Para adensar o sentimento de confraternização e convívio entre todos os presentes, marcaram presença o grupo local de concertinas Os Medenses que despertaram bastante interesse na numerosa multidão que não deixou de marcar presença neste dia característico do concelho, onde também houve lugar para a atuação do Rancho Folclórico do Centro Recreativo e Cultural de Mêda, que igualmente promoveu a boa disposição, a alegria fazendo com que muitos se atrevessem a “dar um pezinho de dança” como aperitivo para o espetáculo musical da bastante conhecida Rosinha, artista esta que encerrou este dia com uma grande atuação pautada pela descontração e boa disposição fazendo que por um momento todas as adversidades e dificuldades do dia-a-dia fossem esquecidas por um espaço de tempo.

Em jeito de nota final, resta ao Município agradecer a todos os que marcaram presença e dizer que contamos com todos para construir um futuro promissor.