O Sítio do Vale do Mouro, na Coriscada, no concelho de Mêda tem sido alvo de
prospecções arqueológicas desde o ano de 2003. As escavações permitiram, até
então, a descoberta de balneários romanos, um pátio ladrilhado com elementos
figurativos, pontas de lança, cerâmica, moedas, elementos de construção, entre
outros.
As campanhas arqueológicas no sítio do Vale do Mouro revelaram um povoamento
neolítico com sete mil anos e permitiram descobrir uma aldeia romana que os
arqueólogos acreditam ser uma "revolução" no estudo do país rural da época.
Quando se pensava que o local teria tido apenas duas ocupações - nos séculos III
e IV depois de Cristo (d.C.) -, as escavações de 2008 revelaram novos achados do
período Neolítico, com a presença de materiais em sílica e lascas de quartzo.«
Como as gravuras do Vale do Côa marcaram uma época, as descobertas em Vale do
Mouro vão marcar um tempo, em que ainda se pensava num interior rural romano
pobre onde não se podia viver bem.
Nos inícios do século I d.C., terá sido ali edificada uma “vila” (quinta) e já
no século III d.C., um senhor abastado, à custa do rendimento agrícola gerado
com vinho, cereais e azeite e também da exploração mineira do ferro, estanho,
prata ou chumbo, terá reconvertido a vila chamando técnicos para o revestimento
de salas de mosaico, edificar balneários, lagares e ferrarias.
Numa época áurea, é forte a probabilidade de "esse senhor ter-se valido de
operários livres criando um “Vicus” (aldeia) onde os deuses e festividades
passariam a ter algum cunho colectivo", algo que pode revolucionar a história
conhecida da aldeia romana.
Os primeiros anos de trabalhos centraram-se na zona do Balneário Romano e em
2006 foi descoberto um painel de mosaico policromático, presentemente a ser
restaurado em Conímbriga, figurando o Deus Baco junto de uma Menade, antes nunca
encontrado em regiões interiores de Portugal. No último dia de campanha de 2007,
fez eco na imprensa nacional e estrangeira uma descoberta de um tesouro
monetário com cerca de 4526 moedas.
A campanha deste ano deixou aberta uma exposição permanente de achados no Centro
Sociocultural da Coriscada.