Notas
Históricas
Tem-se como
certo que o nome de "Rabaçal" provenha, como sucede com outras
localidades com idêntica denominação, do facto de, nas suas
cercanias existir um ribeiro onde haveria muitas rabaças (planta
umbelífera, lat. rapatia). Há sinais de muita antiguidade na
freguesia. Aqui se podem encontrar ainda troços da estrada romana
que seguia para o Pocinho e daí para Chaves e Astorga.
Era curato de
apresentação do Abade de Santiago de Marialva. Por orago tem S.
Paulo Apóstolo e, no século XVIII, segundo indicação de D. Joaquim
de Azevedo, fidalgo Capelão da Casa Real e Abade de Cedovim, para
além de duas capelas particulares, havia, fora do povo, capelas das
invocações de São sebastião e Nossa Senhora dos Prazeres. A
localidade era já, nessa altura, relativamente populosa, pois
contava 128 fogos e 316 almas. Tenha-se em conta que em 1900 a
freguesia tinha 592 almas, atingindo o seu pico mais alto em 1940
com 772 habitantes. Partindo deste número e até 1981, o Rabaçal
perdeu 39% da sua população, uma vez que então, tendo 472
habitantes, poucos mais tinha do que em 1708 (com 408).
O Século XVIII,
na sequência da prosperidade geral do País, foi determinante quanto
ao desenvolvimento da freguesia do Rabaçal. É desse período a
vistosa Igreja Matriz, de estilo rocoó e de fachada voltada a
poente. Como elementos do referido estilo, no templo apresentam-se a
torre sineira, terminada por uma cúpula bulbosa, à maneira da Europa
Central e Oriental, aqui talhada com o duro granito da região. Entre
as várias e numerosas peças artísticas, a Igreja possui duas belas
cruzes processionais.
Desse período
são também os dois solares existente na freguesia, ambos da Família
Sampaio e Melo.
Um deles,
conhecido como a Casa do Redondo, ou Casa Grande, na Quinta da
Bacelada, adoçada á povoação, é hoje pertença de D. Arminda Sampaio
e Melo e do médico, seu marido, Dr. Eurico Inocêncio. Foi restaurado
e encontra-se adaptado para exploração turística, na modalidade de
agro-turismo. Com este empreendimento tem sido possível realizar no
Rabaçal algumas interessantes iniciativas de ordem cultural,
trazendo pessoas que, repousando uns dias no ambiente local, ficam a
conhecer melhor a região, saboreiam a gastronomia e beneficiam da
alegria dos costumes e das tradições das gentes locais. O tecto de
uma sala da Casa do Redondo ostenta pinturas em madeira
representando quatro continentes: Europa, Ásia, África e América.
O outro solar é
conhecido por Solar do Morgado. O Morgado, segundo conta o autor de
"O Concelho de Meda - 1838-1999", Dr. Jorge de Lima Saraiva, a pag.
181 da sua obra, anos depois da construção desta casa, decidiu
construir a Casa Grande, para onde foi viver, deixando na primeira
as irmãs solteiras. Com a revolução de Abril, este solar, que já
vinha a degradar-se, entrou em quase ruína. A Família fez dele
doação à Diocese de Lamego que não lhe deu, até agora, nenhuma
finalidade. Junto ao solar encontra-se uma capela, dedicada a Sant'
Ana, totalmente arruinada.
As habitações
tradicionais, de forma geométrica simples, são de pedra, com poucas
aberturas para o exterior. Ajustam-se à topologia local e algumas
possuem pequenas escadas de acesso ao piso principal, uma vez que o
piso inferior era, no passado, destinado á recolha de animais. Quem
quiser apreciar casas típicas deste extremo da Beira Alta encontra
na localidade muitas e variadas moradias que são verdadeiros
modelos.
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