Notas
Históricas
O topónimo resultará de "pobra", local povoado, termo que aparece
com frequência, em pleno século XIV, nos documentos reais quando a
povoação em causa não tem outro senhor além do Rei. Das terras
reguengueiras como esta foi, chamava D. Dinis "a minha pobra".
Podem-se encontrar nesta localidade cruzes, gravadas em pedra ou
pintadas, da Ordem dos Templários e da Ordem de Cristo.
A Igreja Matriz tem sinais dos primeiros tempos da Nacionalidade,
não obstante ter sido reconstruída no século XV, por Bartolomeu
Afonso, Juiz da localidade e Mestre de Obras, e e beneficiada com
alterações feitas nos séculos XVII, XVIII e XX. O templo é de uma só
nave, com altar mor e dois laterais, dedicados ao Sagrado Coração de
Jesus e a Nossa Senhora do Rosário. O tecto da capela-mor é
revestido com caixotões com pinturas de santos. Estes quadros, na
opinião do Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues (in "Terras de Meda -
Natureza e Cultura", pag. 359) são do século XVIII, evidenciando uma
técnica pictórica barroca, com um certo sabor popular, e poderão ser
atribuídos a Isidoro de Faria, pintor natural de Trancoso, onde
fundou uma oficina de pintura. O retábulo do altar mor é de estilo
joanino, uma verdadeira obra de arte, cheia de movimento como é
típico do barroco. Ao centro, a tribuna ou trono, possui quatro
degraus terminando na glória. Do lado direito da tribuna encontra-se
o nicho do padroeiro, S. João Baptista, e, do lado esquerdo, um
nicho com uma imagem de Santo António. estas duas imagens são
ladeadas, cada uma delas, por anjos-tocheiros, de um barroquismo
exuberante. Os retábulos laterais são de talha, com colunas
salomónicas decoradas com parras, uvas e pássaros, que se alongam
pelo fuste, ao gosto tardo-renascentista. As colunas formam um arco,
no cimo do qual está uma imagem de um pelicano.
D. Joaquim de Azevedo, fidalgo capelão da Casa Real e Abade de
Cedovim, no século XVIII, anotava que na Prova existiam as capelas
de S. Domingos e de Nossa Senhora da Paz, bem como uma dedicada a
Nossa Senhora do Pranto, na Sapateira, distante cerca de uma légua,
mas no aro da freguesia..
Em 1758, o pároco Pe. João da Fonseca Cardoso, considerava a
paróquia, orago de S. João Baptista, como anexa de S. Pedro de
Penedono e tinha, segundo o seu relatório, de 7 de Maio desse ano,
106 fogos e 287 pessoas. Em 1900 a freguesia tinha 161 fogos e 578
habitantes. Desta freguesia partiu para diversos países, ao longo de
todos os tempos, uma boa parte da sua população activa, bastando
dizer que no intervalo de 40 anos (de 1940 a 1980) perdeu 42% dos
seus habitantes. Notável é o movimento demográfico entre os anos de
1960 e 1981, durante os quais a Prova perdeu 43% e a sua anexa
Sapateira perdeu metade dos habitantes.
Os habitantes da Prova tinham os seus principais rendimentos no
pastoreio e nas produções de centeio, milho, castanhas e vinho,
tirando partido do facto de possuir algumas boas terras para
pastagens, cereais e soutos, por se situar numa zona de transição
geológica entre a serra e a bacia hidrográfica do Douro. Há notícia
de que, em tempos idos, se produzia linho e estoupa, em grande
quantidade, nesta freguesia.
Devem ter tido alguma importância nesta localidade os séculos
séculos XV e XVI, como o atestam algumas construções da época, na
zona mais antiga da povoação, onde se podem apreciar vistosas
janelas manuelinas e uma porta de arco contra-curvado. No
alargamento dos ombrais da porta de uma adega danificou-se a beleza
de um portal.
Notável também terá sido aqui o século XVIII, pois nesse período se
construiu a Casa Grande, digna de tanto apreço quanto se encontra
degradada, pertencente à Família Lacerda e onde, em visita à
Família, ali esteve Oliveira Salazar em Agosto de 1937. Na
respectiva pedra de armas, sobrepujando a porta principal, evocam-se
Cabrais, Pinheiros, Costas, Lacerdas, Cardosos e Leitões. É notável,
neste Solar, a varanda coberta ou loggia, de óbvia influência
italiana. Outra casa merecedora de interesse é a de José Cardoso,
dos fins do século XIX.
Figura ilustre desta localidade foi o Dr. Alfredo de Lacerda, da
Família dos Lacerdas, distinto clínico que se dedicou ao Sanatório
do Caramulo e ali criou um museu onde se encontram obras dos
principais pintores portugueses e dos alguns grandes pintores
mundiais, a par da mais preciosa colecção de automóveis antigos
existente em Portugal.
Nasceu também nesta freguesia em 22-01-1862 um apreciado escritor e
poeta, José Augusto de Castro, que, tendo emigrado cedo para o
Brasil, ali tomou parte activa na questão da escravatura, publicando
"Vozes populares" e "Ecos do mundo". Tendo regressado a Portugal,
fixou-se na Guarda onde fundou o semanário "O Combate", que se
publicou até 1931. Faleceu em Coimbra em 13-05-1942, deixando uma
obra muito vasta. Publicou "Nuvens, Halos" (1914), "Exaltação"
(1926), "Árvore em flor" (1928) e "Terra Sagrada", todos estes em
poesia; em prosa publicou "Impressionistas" (1896), "Gritos" (1901),
"O Bispo" (1915), "Pela Mulher" (1916), "O inimigo" (1918),
"Calvário e Tabor" (1921) e "Labaredas" (1924).
A localidade apresenta-nos um raro ordenamento urbanístico. Por
outro lado, a arquitectura popular está bem patenteada nesta
freguesia. No centro da localidade encontra-se o antigo Largo, onde
se realizavam as feiras e os divertimentos populares. Esse local
encontra-se actualmente ajardinado, podendo considerar-se a "sala de
visitas" da terra. Ali próximo pode ser apreciada a capela de Nossa
Senhora do Livramento, com um bonito coreto ao lado.
Bibliografia:
Rodrigues, Adriano Vasco - "Terras da Meda - Natureza e Cultura" -
1983;
Saraiva, Jorge António Lima - "O Concelho de Meda - 1838-1999" -
1999.
Gomes, Pinharanda - "Dicionário de Escritores do Distrito da Guarda"
- Guarda, 1969.
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