Notas Históricas
O primeiro elemento toponímico, conforme a explicação de António
Correia Coelho in "A Guarda" de 5-10-2001, sobre "as nossas terras",
é um característico genitivo do nome próprio "Paius" (O
apelativo comum "Pai" (na actual acepção de progenitor) não se
ajusta porquanto a denominação teve a forma iniludível de "Paio
Penela", a denotar que possa ter provindo do nominativo por apócope
do "o" final, suprimindo essa espécie de hiato, ou pela via do
genitivo a significar "Penela de D. Paio" < Paii Penela. O apelido
Pais é pois um patronímico derivado de Payo, podendo significar nos
dias de hoje que pode haver muitas famílias, sem qualquer laço de
parentesco entre si, que o podem agregar e era um apelido muito
frequente nos séculos XI e XII.
S. Silvestre é o orago desta freguesia que, outrora,
eclesiasticamente, foi curato no termo da vila de Marialva, anexo e
do provimento da vigararia de S. Pedro de Vale de Ladrões, hoje
Valflor, uma das paróquias iniciais de uma zona que compreendia o
vasto território que é hoje o das três freguesias autónomas -
Valflor, Carvalhal e Paipenela, vindo a alcançar, por mérito
próprio, a ascenção a freguesia independente, instituída nos alvores
do século XVI. Terá sido na transição do século XIII para o XIV que
Vale de Ladrões adquiriu esta sua primeira filial, pois poderá
corresponder à sua criação como povoação de mais significante
contexto. A atribuição do orago de S. Silvestre de Paipenela parece
resultar do antecedente esforço da cristianização da Estremadura, no
século XII, ainda oscilante até ao Côa, levado a preceito pela Sé
bracarense, à qual se deve a difusão do culto de S. Silvestre.
Em 1839 aparecia Paipenela no município de Trancoso, em 1852 na
comarca da Meda, depois passara ao concelho e comarca de Marialva;
extintos estes em 24 de Outubro de 1855, Paipenela veio,
consequentemente, a ser anexada ao concelho e comarca de Vila Nova
de Foz Côa, onde ainda se encontrava em 1862, passando, por último e
de novo para o concelho da Meda em 1872.
Paipenela teve o seu período áureo, no que respeita à densidade
populacional, durante os séculos XVIII e XIX, tendo passado de 70
fogos e 266 habitantes em 1708, a 99 fogos e 375 habitantes;
todavia, mantendo-se quase inalterado o número de fogos, vem
decrescendo desde então o número dos seus habitantes, pois em 1981
possuía no seu termo 85 fogos e apenas 184 habitantes, tendo este
último número passado para 119 conforme o censo de 1991.
No aro da freguesia existe um magnífico miradouro, com uma capela
dedicada a Santa Bárbara, do século XVII, que bem poderá ter sido
uma defesa castreja. Uma referência à existência desta capela
podemos encontrá-la em D. Joaquim de Azevedo, fidalgo capelão da
Casa Real e abade de Cedovim, em notícia por si subscrita nos finais
do século XVIII. Deste miradouro, para além de se desfrutar uma
deslumbrante vista sobre Marialva e Carvalhal, tem-se igualmente um
belo panorama sobre as terras mais longínquas de Pinhel.
Os habitantes de Paipenela respeitam e procuram manter as tradições
dos seus antepassados, não deixando esquecer os seus costumes e os
seus cantares.
Bibliografia:
Coelho, António Carreira - "As nossas terras" - Jornal "A Guarda" de
05-10-2001, pag. 14;
Rodrigues, Adriano Vasco - "Terras da Meda - Natureza e Cultura" -
1983;
Saraiva, Jorge António Lima - "O Concelho de Meda - 1838-1999" -
1999.
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