Notas
Históricas
Outeiro de Gatos fazia parte do termo do antigo concelho de
Casteição e a sua história, tal como a do lugar dos Chãos, está
intimamente relacionada com a sede daquele concelho extinto pela
Reforma Setembrista, em 6 de Novembro de 1836.
Em 1527, o censo régio da população registava 6 moradores na "quinta
de Outeiro de Gatos".
D. Joaquim de Azevedo, na História Eclesiástica da Cidade e Bispado
de Lamego, fidalgo capelão da Casa Real e abade de Cedovim, nos
finais do Século XVIII e princípios do Século XIX, assim descreve
Outeiro de Gatos: "... no termo de Casteição, dista de Lamego 10
léguas, de Lisboa 59; curato de Nossa Senhora da Graça, que renderá
60$00 réis, apresentado pelo Abade de Casteição; tem capelas de S.
Sebastião, Nossa Senhora do Desterro, na quinta de Enxameia; Nossa
Senhora do Amparo, na quinta do Desembargador Caetano Saraiva; há
nesta freguesia um grande campo do concelho, chamado Tecedeira, que
os lavradores por devoção fabricam para o culto divino, e do que
produziu um ano se fizeram os dois pequenos, mas bons sinos da
igreja; produz a terra muitos gados, castanhas e pão; tem 168 fogos,
almas 401."
No final do Século XVII, Outeiro de Gatos estava integrado no
concelho de Ranhados, juntamente com a Areola, e a sua população
conjunta atingia então os números de 85 fogos e 340 almas, que se
elevaram bastante à entrada de 1900, pois, nesse ano, registava o
conjunto de Outeiro de Gatos e Areola 193 fogos e 705 almas. Em 1960
a localidade de Outeiro de Gatos contava 398 habitantes, e 318
habitantes 20 anos depois, tendo perdido 15% em duas décadas.
A cultura de cereais, a produção de seda e o pastoreio do gado
fizeram prosperar as gentes desta freguesia entre os séculos XVI e
XVIII. Em breve a cultura vinícola foi ocupando terras que dantes
produziam cereal, aumentando o rendimento dos habitantes. Algumas
habitações existentes na localidade mostram o crescimento económico
que então se verificou; a Casa dos Pessanhas é um belo exemplar, mas
outras casas aqui se encontram, de abastados lavradores.
É do final do Século XVIII a construção da Igreja Matriz, de notória
traça barroca. Também nesse período teve vida florescente um
convento, de que há ainda alguns vestígios.
O vinho de Outeiro de Gatos tem características peculiares, sendo
conhecido como um vinho perfumado. José Augusto Abrunhosa Tavares,
um dos ilustres filhos desta localidade, referiu tal característica
na sua obra "Um jogo da barra às portas de Almeida", um trabalho
notável por quanto nele se consigna de interesse histórico e
etnográfico acerca desta região. Referência especial para um outro
seu natural, cultor das letras, o Dr. Alfredo Cabral, que dirigiu o
jornal "O Educador", foi dirigente superior do Ministério da
Educação em Lisboa e publicou alguns livros de poesia, utilizando
admiravelmente a redondilha popular.
Bibliografia:
Rodrigues, Adriano Vasco - "Terras da Meda - Natureza e Cultura" -
1983;
Saraiva, Jorge António Lima - "O Concelho de Meda - 1838-1999" -
1999.
[Voltar]