Notas
Históricas
A Igreja Matriz,
do orago de Nossa senhora da Assunção, é do século XVIII e possui
três altares, sendo os colaterais dedicados a S. Sebastião e à
Senhora do Rosário. Segundo a informação prestada pelo respectivo
Pároco em 1758, o seu alta mór era considerado majestoso, sendo
sobreposto com as Armas de Portugal e a Coroa Real. A capel mór, da
época de D. João V, notabilizava-se como um das mais magnificentes
da periferia. O Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues considera o alta
mór desta Igreja como o mais importante de entre todos os do
concelho da Meda.
A paróquia,
antiga abadia de Santa Maria de Casteição, provém pelo menos do
século XII, pertencia-lhe o curato de Outeiro de Gatos, sua filial,
e era do provimento alternado do Rei e do Bispo de Lamego.
Devem citar-se
as antigas ermidas de S. Pedro e a dedicada a Santo Amaro, nos
Chãos, de mui remota fundação, que se situa em ponto elevado,
favorável á defesa castreja, e a chamada Nossa Senhora de Vila Maior
(suposta suevo-visigtótica), entre Casteição e Outeiro de Gatos, que
terá sido a primeira e de ascendente paroquial neste extenso
território longitudinal do ribeiro do Vale do Covo, cuja localização
terá sido preterida pela actual, ante as reduzidas limitações de
Vale de Ladrões (hoje, Valflor) ou Paipenela. A romaria a Nossa
senhora de Vila Maior tem lugar na segunda feira do Espírito Santo.
A denotar reminiscências ligadas aos caminhos e peregrinos de
Santiago de Compostela, existia no caminho de Sernancelhe, entre
Casteição e Mendo Gordo a quinta do Palmeiro, designação pela qual
eram conhecidos os peregrinos e onde se terá fixado um destes apoios
caminheiros.
Casteição
realiza desde tempos medievais a sua feira anual a Santo André, a 30
de Novembro, e uma feira mensal no último Domingo de cada mês.
No aro da
freguesia há idílicas paisagens, sobretudo nas proximidades da
Ribeira Teja, onde se implantaram inúmeras azenhas, desde a Ponte
dos Caniços até ao Moínho do Tinto, diante da Quinta de Matamá.
Pela abundante
arqueologia castreja, na sua área e imediações, Casteição denota ter
sido um primitivo povoamento pré-histórico. Não fica distante a
"Civitas Aravorum" (Marialva) deste castro - Castai(n)ciom - que foi
uma das pennelas roqueiras da estremadura do século X, que a
condessa D. Chamôa possuía por herança de seus pais, os condes
Rodrigo e Leodegúncia e que, por testamento, em 960 legara ao
Mosteiro Vimaranense, do qual passou depois para a Coroa, na
primeira metade do século XII.
A origem do nome
de Casteição é tema para especialistas, que se perdem em conjecturas
e propostas histórico-linguísticas dignas de interesse. Castro
Castai(n)ciom / castra itio, ir socorrer-se em abrigo; de que "Casta
são" (in Abel Joaquim Marques, "Um grão de areia", pag. 24, editora
UNICEB - Brasil - 1990); > Castaicion > Castreição Casteiçom
Castreiçam > Crasteição > Qasteiçam > Casteição (in Albertino
Marques, Casteição, ed. Câmara Municipal da Meda, 2000).
O seu primeiro
foral foi-lhe outorgado pelo Rei Povoador, D. Sancho I, em 30 de
Julho de 1196. D. Afonso II reafirmou-lhe o foral em 11 de Novembro
de 1217, e nova confirmação recebeu depois de D. Sancho II em 1234.
No século XVI o
prestígio do concelho de Casteição, que incluía a freguesia de
Outeiro de Gatos, começa a decair, até que, o Decreto 23, de 16 de
Maio de 1932, extingue a autarquia e integra-a no concelho da Meda,
ficando, entretanto, a pertencer à comarca de Trancoso.
Sobre a
importância desta verdadeira e pouco conhecida "jóia histórica" vale
a pena ver o que dela se refere nas obras: "Terras da Meda -
Natureza e Cultura", do Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues; "Casteição
- Contributo para o estudo da história e da arqueologia" do Dr.
Albertino Marques, e "O Concelho da Meda - 1838/1999", do Dr. Jorge
Lima Saraiva.
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