Notas
Históricas
A localidade do
Carvalhal deve o seu nome à existência das antigas e frondosas matas
de carvalhos, que emolduravam a povoação. Pensa-se, com muito boa
razão, que dos campos do Carvalhal saiu muita madeira para a
construção das naus da gesta dos Descobrimentos Portugueses. Na
opinião do Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a matéria-prima para
essa grande tarefa nacional não proveio dos pinhais de Leiria, por a
madeira de pinho não servir para o mar. E depois também porque a
estoupa e o linho, igualmente precisos para a construção dos barcos,
eram produzidos nas terras vizinhas destas.
Segundo o censo
de 1527 o Carvalhal tinha então apenas 8 moradores. Porém, nos
finais do século XVII tinha já 160 fogos e 640 almas. Nos finais do
século XVIII tinha 70 fogos e 162 almas. verdade é que, num
intervalo de 250 anos, a população desta localidade multiplicou-se
por 80, o que quer dizer que as riquezas locais se somaram então ao
desenvolvimento económico geral verificado nesse período. Mas a
curva demográfica não continuou a crescer desse modo, e tanto assim
que, em 20 anos apenas, de 1960 a 1981, o Carvalhal, sacudido pela
tremenda emigração que afectou o País, perdia precisamente 50% da
sua população.
Voltando à
história, diga-se que foi precisamente no século XVII que se iniciou
a construção da sua elegante Igreja Matriz, cuja capela mór encanta
quem a visita, pela agradável exuberância do seu retábulo, de estilo
nacional, em talha dourada, que emprega seis colunas torsas
adornadas com figuras simbólicas - meninos, cachos de uvas e parras
e pássaros (representando a fénix - símbolo de imortalidade), tendo
a encimá-las arcos concêntricos.
Pode ver-se
neste templo um belíssimo tecto adornado em caixotões, com 35
painéis onde figura diversa iconografia do santoral, à semelhança do
que pode ser apreciado na Igreja Matriz de S. Bento da Meda.
Diga-se, entretanto, que esta belíssima colecção de painéis proveio
do extinto e hoje quase ignorado Convento dos Vilares ou de Nossa
Senhora dos Remédios, de frades terceiros franciscanos, que se situa
a meio caminho entre Marialva, Valflor e Carvalhal. Segundo o que
rezam as "crónicas", quando as ordens religiosas foram extintas e os
conventos ficaram nas mãos do Estado, em 1834, as populações de
Marialva e Valflor foram ao Convento de Vilares e dali retiraram o
que lhes veio à mão. Os habitantes do Carvalhal, ao ver o saque do
Convento dos Franciscanos, resolveram salvar os quadros e adaptá-los
à sua igreja matriz. Segundo o Dr. Jorge de Lima Saraiva, "além dos
painéis, trouxeram um Cristo do século XIII, vestido de saial e
corroado de majestade com os pés cravados separadamente".
É igualmente dos
finais do século XVII a capela de Nossa Senhora dos Prazeres, que se
encontra datada de 1670, ano em que também no Carvalhal se construiu
um coreto, sinal evidente que a sua população era então considerável
e as suas festas já exigiam uma infra-estrutura como esta.
Nos finais do
século XVIII, D. Joaquim de Azevedo, capelão da Casa Real e Abade de
Cedovim, dava notícias do Carvalhal, situado num vale à vista de
Marialva e Paipenela, e nelas dizia que a localidade possuía uma
igreja dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, dentro do povo, tendo
o Santíssimo Sacramento no alta mór; os altares colaterais
dedicavam-se à Senhora do Rosário e ao senhor Crucificado, sendo
curato com apresentação pelo reitor de "Vale de Ladrões"
(actualmente Valflor), e tendo juiz da vintena, sujeito ao juiz de
Marialva, enquanto dois regatos de inverno faziam moer alguns
moínhos e um lagar de azeite.
A população do
Carvalhal tornou-se conhecida na região pelas suas festas e
tradições, das quais se destacavam as "contradanças" que levava a
efeito na altura do Carnaval.
Hoje o
Carvalhal é uma freguesia dotada de infra-estruturas básicas, que
permitem uma qualidade de vida bastante razoável aos seus moradores,
não obstante as dificuldades próprias da interioridade, como sejam a
falta de acessos aos meios do litoral, onde é possível resolver
melhor os problemas de saúde, de educação e de trabalho, por cujas
razões a sua juventude se não prende ao torrão natal.
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